Silagem de milho - O volumoso suplementar mais usado para gado leiteiro no Brasil

Escrito por Rodrigo Knolseisen

Na época do ano em que o pasto começa a sofrer e render menos, surge a necessidade de suplementar a dieta do rebanho, sendo o uso de silagens uma ótima alternativa para ajudar a solucionar esse problema. Além disto, com o aumento do número de confinamentos de bovinos de leite no país, ocorre a necessidade de forragem conservada o ano todo.

Pela grande variedade de qualidades de sementes no mercado, alta eficiência alimentar, elevada produção de matéria seca por área, a possibilidade de automatizar boa parte do processo, boa aceitação dos animais, entre outros, a silagem de milho é o volumoso conservado mais usado para o rebanho de gado leiteiro no Brasil.

Características da silagem de milho

O milho é a melhor opção para a ensilagem, devido às características da planta que permitem uma boa fermentação e consequentemente conservação do material ensilado, sendo que suas principais características para ensilagem são:

Isso garante uma grande eficiência alimentar, o que traz uma maior produção diária de leite se comparado com silagens de sorgo ou cana de açúcar, por exemplo.

O custo comparado a outros volumosos

Não apenas mais eficiente, a silagem de milho é também mais cara, em relação a outros materiais possíveis de serem ensilados. As despesas de plantio, insumos, logística e maquinário são altas, e a lavoura é anual, ou seja, o milho só pode ser plantado uma vez ao ano. Sendo assim, muitos produtores reservam a silagem de milho apenas para os animais de média e alta produção do rebanho.

Por questões de custo, mesmo considerando ganho de eficiência do milho sobre outras silagens, ela deve ser avaliada junto a outros fatores, para descobrir qual silagem trás a melhor relação custo/benefício para cada um dos estágios dos animais em um rebanho.

Por fim, para justificar o custo de produção, a silagem de milho deve ser produzida com cuidado, para garantir uma forragem de alta qualidade, que mantenha as vacas produzindo grandes quantidades de leite.

A época para o plantio e o momento da colheita

Sou um teste

Região Época do plantio
Sul do Brasil Agosto a Setembro
Centro-Oeste e Sudeste Outubro a Novembro

O atraso na época do plantio pode resultar em perdas superiores a 60kg por hectare, além de possíveis alterações na relação colmo:folha:espiga, o que compromete a produção de silagem de alta qualidade.

O momento da colheita deve ser definido a partir do teor de matéria seca - que deve estar entre 30 a 35%. Com menos de 30% de teor de matéria seca, a silagem terá menos qualidade nutricional, já com mais de 35% pode ocorrer uma piora na qualidade da fibra, o que reduz a digestibilidade do material, além disto, a compactação do material ensilado torna-se mais difícil, podendo comprometer a fermentação da silagem.

A colheita, no campo, deve ser realizada utilizando maquinário apropriado - bem ajustado - que garanta cortes precisos. O produtor deve impedir o contato direto do material com o solo, para reduzir a chance de contaminação bacteriana. O transporte, do campo até os silos, deve ser feito em carretas ou carretões limpos, sem restos de qualquer outro material que possa contaminar o volumoso.

Como fazer uma boa silagem de milho

A qualidade a silagem é o resultado de diversos fatores e interações que ocorrem desde a escolha da planta até o fechamento do silo. Entre eles estão o tamanho de partícula, a altura de colheita o processo de picagem, o armazenamento e a compactação.

Os principais fatores que interferem na qualidade da silagem

Um dos principais fatores que contribuem para uma queda na qualidade da silagem é, a contaminação por microorganismos que interferem no processo de fermentação. Esses microorganismos podem ser trazidos para o material ensilado, por contaminação de restos de culturas, terras e por uso inadequado das ferramentas e assim, eles se desenvolvem a ponto de comprometer a qualidade nutricional da silagem.

É importante fazer o uso de boas práticas de produção agrícola na ensilagem, buscando a redução na contaminação por fungos. A ação dos fungos na silagem produz micotoxinas, que são substâncias tóxicas que podem ser produzidas em qualquer etapa da ensilagem, desde o campo até o fornecimento no cocho.

Outros fatores que influenciam a qualidade e devem ser mencionados são:

Os três tipos de silagem de milho

Silagem de planta inteira

A forma mais comum. Nela, a planta de milho é cortada, próximo à superfície do solo. No ponto da colheita correto, o teor de matéria seca em torno de 35%, inibe as fermentações indesejáveis.

Silagem de espiga

Sua vantagem é o menor percentual de fibra, que garante maior digestibilidade. A silagem de espiga permite obter um alimento mais rico energeticamente. Nele o corte é feito da espiga para cima. O restante do processo, como compactação e vedação, é idêntico ao de uma silagem comum.

A colheita deve ser feita mais tardiamente que o normal, quando os grãos de milho já estão maduros, porém ainda bastante úmidos - média de 40%. O corte é feito a 0,8 m de altura em relação ao solo.

Silagem de grão úmido

Essa silagem é feita apenas com os grãos do milho e representa uma opção de conservação em relação aos grãos secos de milho. A colheita do milho deve ser feita quando os grãos apresentarem entre 35% a 40% de umidade, através de colheitadeiras convencionais, posterior trituração em moinhos adaptados, compactação e vedação em silos construídos em locais cobertos.

A silagem de grãos úmidos apresenta algumas vantagens, são elas:

Para preparar a dieta do rebanho, peça a ajuda de um técnico especialista

A escolha do volumoso suplementar ideal para o rebanho não é um processo simples, passa por uma análise criteriosa das condições de produção e necessidades específicas para a utilização. Um técnico especialista pode ajudar. Ele vai visitar a propriedade, conhecer a área e auxiliar o produtor na hora de decidir pela melhor opção para as condições do local.

Deve-se tomar cuidado pois se o nível de concentrado for muito alto, pode haver problemas como laminite (inflamação nos cascos) e acidose, que afeta a produção de leite e o desempenho do animal.

Se o produtor souber os fundamentos básicos, e consegue fazer a gestão de produção de forma profissional, existem tabelas de referência para preparar dietas para o rebanho, como por exemplo a Nutrient Requirements of Dairy Cattle, sem tradução disponível para o português.


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